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Cirurgia do diabetes

 

Acabo de retornar da décima - segunda participação consecutiva do congresso americano de cirurgia bariátrica e metabólica, evento anual e que reúne mais de 2000 participantes do mundo todo. Mais uma vez a cirurgia do diabetes tipo 2 (DM2) foi o tema que mais despertou atenção. A doença atinge milhões de indivíduos em todos os continentes e sua incidência continua crescente. Não é para menos, está ligada à obesidade. Mais especificamente ao depósito de gordura abdominal, muito frequente na idade adulta.

Em resumo, está mantida a indicação para cirurgia nos portadores de DM2 e obesidade moderada ou grave, como já prevê as orientações das portarias ministeriais e do Conselho Federal de Medicina sobre as bariátricas. As técnicas mais utilizadas são as gastroplastia, ou derivações gástricas, e os resultados são muito consistentes: acima de 90% de remissão ou controle do diabetes, quando operado antes da função pancreática se exaurir. Esta avaliação é feita com um exame de sangue. O mais impressionante é a velocidade de controle glicêmico. No primeiro dia pós-operatório, as doses de insulina e hipoglicemiantes orais são reduzidas em dois terços.

Quanto aos diabéticos levemente obesos, a resposta à cirurgia também tem se mostrado muito positiva, a ponto de já ser rotina em diversos serviços com protocolos registrados. Podem-se utilizar as mesmas técnicas bariátricas, com pequenas variações que permitem a readequação hormonal do organismo, favorecendo o controle da glicemia sem utilizar medicações na maior parte dos casos e sem causar emagrecimento excessivo.

As novas técnicas cirúrgicas, desenhadas especificamente para tratamento cirúrgico do DM2 permanecem em caráter experimental ou observacional. A derivação duodenal de Rubino e a interposição ileal de DePaula, que famosa pelo apresentador dominical global, ainda carecem de chancela legal para sua realização. Da mesma maneira, as cirurgias para diabéticos magros aguardam parecer favorável das sociedades de especialidades e dos órgãos oficiais, embora as pesquisas já mostrem segurança e efetividade.

Boas notícias para quem depende diariamente do consumo de drágeas, picadas de insulina e testes de ponta de dedo. A cirurgia tem sido uma opção promissora até a chegada de drogas com maior eficácia contra o DM2.

Dr. Irineu Rasera Jr

CRM 75.351



Escrito por Dr. Irineu Rasera às 17h37
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